Publicado Sábado, 21 de Janeiro de 2012 10:01

Case Luíza mostra força das redes sociais

Comercial paraibano é meme de sucesso na propaganda

por Marcos Bonfim

“Menos Luíza, que está no Canadá” fez da jovem uma webcelebridade instantânea

 

Luíza não está mais no Canadá. Foi de lá, de repente, que ficou famosa aqui no Brasil. A frase “Menos Luíza, que está no Canadá”, dita por seu pai em um comercial que anunciava um empreendimento imobiliário em João Pessoa, na Paraíba (veja aqui), tornou a garota de 17 anos uma celebridade instantânea nas redes sociais e criou um dos primeiros memes da publicidade brasileira na era virtual.

Com a fama repentina, Luíza já gravou o segundo comercial do empreendimento (assista aqui), agora apresentando o condomínio. E já recebeu propostas para ser a garota-propaganda de vários gêneros de produtos, entre eles telefonia e três companhias aéreas, segundo o pai, o colunista social Gerardo Rabbello que, surfando na onda do meme, pode estrelar campanha da operadora Vivo, após convite da agência Africa.

O filme teve um começo não tão cômico. “A resposta era misturada, e havia mais comentários negativos, com críticas de que era exibicionista. Mas isso foi vencido”, afirma Rabello, o famoso pai da Luíza. Ao se espalhar, o bordão “menos Luiza que está no Canadá” ganhou mais humor, molho e versões. Virou brincadeira na boca de Lenine, William Bonner, promoções de marcas como Magazine Luiza, Decolar e Submarino Viagens e rendeu até uma saia justa na Secretaria de Imprensa da Presidência com um tweet, no perfil oficial do órgão, com a frase “Com a volta da Luíza, quem tá indo para o Canadá é o Serra”.

Alberto Arcela, diretor de criação da Oficina de Propaganda, agência que atende à conta da construtora Água Azul, do Grupo Concerpa, que anunciou o empreendimento, diz que tudo começou com a escolha de usar colunistas sociais para estrelarem a campanha com as respectivas famílias. Era uma forma de buscar upgrade para o empreendimento localizado em uma área muito concorrida da capital paraibana. Como Gerardo Rabbello e a família são conhecidos na cidade, a falta de Luíza seria notada caso não fosse citada.

O investimento na produção do comercial foi de R$ 15 mil, sem contar o cachê da família. O segundo filme, cerca de R$25 mil. “A ficha ainda não caiu”, afirmou o criativo. “Não penseique fosse dar esta repercussão. Foi algo que aconteceu por acidente de percurso. Não tem uma fórmula”.

A professora de marketing digital da ESPM, Martha Gabriel, segue a mesma linha de pensamento de Arcela. “Não dá para saber como nascem os memes”, disse. De acordo com a especialista, os memes difundem comportamento, ao contrário do viral, que replica algo sem nenhuma modificação. “Um meme tem que ser muito simples de memorizar e fácil de replicar, senão você não consegue imitar o comportamento”, completa. O termo foi descrito pela primeira vez em 1976 no livro “O Gene egoísta”, de Richard Dawkins.

Tags: Luiza, Canadá, meme, Oficina de Propaganda, Imobiliário

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